quinta-feira, 1 de maio de 2008

trechos de diário 12

estou de volta à grande babilônia, ao ar sujo, aos grandes engarrafamentos e as batidas de música eletrônica, beats que entram pela minha janela sem pedir licença, mesmo que seja um domingo nublado. importa ser de algum lugar ou ser de lugar nenhum? apenas parte de um mundo globalizado. os dias de festas, das grandes festas chegam e vão embora e fica somente uma vontade de preparar a mochila para viagem. de carro ou avião os lugares estão sempre parados apenas esperando o viajante. o que eu sinto agora é dormência espiritual, pobreza, desânimo. quero sair daqui, mas não sei para onde. sonho apenas uma casa no meio do mato com aranhas pelas paredes e um gato para matá-las. com silêncio, coisa que na cidade não existe. o que faço mesmo aqui? quem é esse que me olha quando eu olho o espelho? acho que dessa noite eu não passo. acho que essa noite não vou sonhar com nada e acordar louco. mas seguro firme meu olhar sereno, meu caminhar calmo e meu sorriso com desdém. quero descer de carro pelas estradas que me levam para casa, beira do mar, alto da montanha. Quero um pouco mais que essas conquistas. mais que esse nó na garganta, nódulo nas costas, ranger de dentes e noites de sonhos angustiantes. quero gritar, mas cada dia fico mais calado. já pensei em catar morangos na austrália, ver o que aconteceria se as coisas deixassem de dar tão certo. já toquei violão, fiz tatuagem no braço, comi chocolate e nada adiantou. agora só quero o nirvana. minha mente quieta, espinha ereta e coração tranqüilo.

Um comentário:

Anônimo disse...

esse poema é antigo...