
sábado, 29 de março de 2008
trechos de diário 1
...fez frio nas 4 horas que vaguei por paris como um moribundo. só vi carros, construções e gente metida. não era nada agradável ser do terceiro mundo, não ter dinheiro nem falar francês. paris é isso. essa bossa, essas luzes. quando o trem deixou a estação subindo a europa rumo a holanda eu bebi vinho e comi queijo. passei horas vendo a arquitetura das cidades que se apresentavam pela janela. nesse momento eu já tinha visto mais que meus pais viram em toda a vida deles. estava cansado, mas chegar em amsterdã outra vez acabou com qualquer vontade de dormir. o que eu queria era andar de bicicleta. talvez uma das melhores coisas para e fazer nessa vida seja pedalar pelas ruas de amsterdã sem cuidar os carros, as vezes se distraindo com os tipos que buzinam nas bicicletas engraçadas. é fácil se perder pelos canais e acabar na red light district vendo as putas nas vitrinis vestindo lingeries vermelhas. mas não se sente nada ao vê-las. as vezes eu não sei se elas rezam para os clientes entrem e paguem para ter dinheiro ou se rezam par que eles não venham para não ter que transar com asquerosos que elas nunca viram antes. sem amor, sem nada, só tara. meia hora pedalando, amsterdã se espalha até o mar em bares divertidos, com fogueiras, música e alguma comida. o sol desce, a cidade se acende e já é quase meia noite. os muçulmanos passam com suas mulheres dois passos atrás, com os filhos remelentos vendo esse choque de cultura...
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