sábado, 12 de abril de 2008

trechos de diário 8

...tive muito medo hoje. medo de morrer no avião, em uma tragédia. fechei os olhos e imaginei o oceano imenso e todos boiando. as horas passando devagar, o frio crescente e, pouco a pouco, o pavor inicial daria lugar a uma paz de espírito. O silêncio aumentando e a famosa cena da vida inteira passando diante da cortina dos olhos, finalmente aconteceria. então, tentaria lembrar que essa vida me foi incrivelmente grata e que não se deve lamentar na hora de partir. Senão de nada valeria ter viajado tanto. O que mais aprendo na estrada é desapego. De coisas, amigos, lugares. No começo eu tinha uma dor ao deixar de lado tudo que estava acontecendo. depois veio a sabedoria de ver que o que vem, vai e no instante seguinte outra coisa ainda maior acontece.
No aeroporto de frankfurt encontrei um homem. me disse que havia levado um barco do caribe para a espanha e que ficou 50 dias no mar. falou do céu estrelado, que se sentia como fosse um pequeno cisco dentro de um prato de sopa. um nada. ele teve medo, eu vi. ainda me contou uma história triste sobre um amigo de vela que um dia saiu do barco para tomar um banho no meio do mar e se soltou da corda. ele bem que tentou ajudar. jogou a bóia e foi fazer o procedimento de dar a volta com o barco, desenhando um quadrado com 4 curvas em 90 graus. na segunda tentiva de resgate, o amigo sumiu na imensidão e nem a bóia foi encontrada. lembrou da dor da perda, que a família do amigo o acusou de assassino. o cara sumiu há 20 anos e até hoje, para esse homem, parece ontem. o homem confiou a mim uma história desgraçada, que estava viva nas lembranças que o acompanham sempre. ele nem me conhecia. talvez eu nunca mais o veja, mas falar ajuda. assim como escrever. quantas vezes não fiz o mesmo. dizer a qualquer um o que ninguém conta, confiar um segredo na primeira meia hora de conversa. acho que minha cara inspira confiança. sei que esse é meu poder.ouvir e ver. trago isso como uma benção. às vezes passo pela rua, pesco uma frase e fico horas desenvolvendo o tema na minha cabeça. no aeroporto ouvi um cara dizendo que o único problema das loiras é que envelhecem rápido. fiquei pensando que eu havia visto um monte de loiras velhas na praia da dinamarca. elas eram inteiras, saudáveis com boa pele. acontece que o sol do brasil é muito forte e os brancos acabam sofrendo mais. se na próxima vida eu for nascer branco vou para outro lugar. deve existir um serviço de informações sobre o outro lado. agora já estou voando para o Brasil. dormi pouco, bebi vinho e sonhei com um lugar cheio de brasileiros. no meu sonho estavam policiais me cobrando algo. eu dizia que 99% dos policiais eram bandidos nas horas vagas. estava com o emersom e a gente tomava chimarrão. o juliano e o diego também estavam no sonho. então fui de carona com os policiais fazendo o mate numa cuia de couro. sonhos. não os entendo.
sei que ainda muito vai acontecer nesse ano e não tenho a mínima idéia o que será. o avião aponta para São Paulo, vejo o sertão da Bahia. estou cansado, sujo, diferente. mais uma vez sei que o cara que fechou a porta da casa na saída, não é o mesmo que vai abrir. mudei, para melhor. tenho sono, sede, fome, estou feliz. meu anjo sorri para mim, está cansado. trabalha muito quando eu viajo, fica nervoso reclamando do meu silêncio por que é um anjo coruja esse. gosta de mim e do que viu e do perdeu das minhas histórias...

de trem até o mar do norte


o mar do norte é um mar do oceano atlântico, situado entre as costas da noruega e da dinamarca ao leste, a costa das ilhas britânicas ao oeste e a Alemanha, Países Baixos, Bélgica e França ao sul.
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trechos de diário 7 - copenhagem

...não sei por que acabo fazendo a mesma viagem sempre acabar na praia. sim, está talvez seja a praia mais distante que vou chegar. não sei como é, mas deve ter mar e sol como qualquer praia do mundo. não importo em ficar lá mesmo se não houver mais ninguém. bem verdade é que se assim estiver melhor. nadar mesmo que a água seja gelada e eu realmente penso que seja. o trem está no túnel não se vê o sol. chego em uma estação que imagino ser perto da praia. desço do trem, caminho muitos quilômetros até o mar e cansado durmo um pouco,mesmo sem querer. não existe areia aqui. acordo enterrado sobre um pano indiano no meio de um gramado. chapei no sol, olhei o mar. que cara esse. vem de tão longe para ver esse mar. viking para caralho. me sinto viking muitas vezes. primeiro por ser quase ruivo, ter barba clara, a pele branca e por ser alto, corpo de guerreiro, ágil, ariano. eu inventei que moojen é meio viking. solto no mundo, sonhador. claro que isso não significa ter uma vida bandida. é só que parece existir um lobo dentro de mim. dormindo na espreita, cuidando com meio olho acordado. se precisar o lobo acorda então saia da frente porque o lobo parece manso, mas não é.
mas esse papo é meio torto e minha dúvida maior é se a água esta gelada. embora esteja bem quente, vem uma brisa fria. consegui ver o outro lado da baía. tem uma geografia linda, visto daqui parecem fileiras de falésias. caminho até o trapiche. encontro um marujo da suécia. conta que lá é melhor que aqui e me explica caminhos por canais até chegar ao mediterrâneo. acho que essa deve ser uma boa viagem. o cara parecia legal, mas era tímido e esquisito. vejo mães e filhos ao redor, é um lugar mesmo calmo, para relaxar. a água é fria, mas não gelada, é bem fria, mesmo assim vou nadar. entrei no mar da dinamarca e foi horrível. a água era bem mais gelada do que parecia. existem muitas maneiras de ficar alterado: álcool, drogas, sexo, fome, falta de sono, água gelada é uma das mais fortes. mas os velhos entraram. uns quantos antes de mim. notei que as mulheres sofriam menos com o choque das temperaturas. os homens eram bem mais fiasquentos e gritavam assim que a água tocava o saco! saio do mar rápido, me seco no sol. sinto um calor dormente por todo o corpo. pego meu caderno, minha sacola e caminho todo o trajeto.
agora estou no trem de volta. são 1h15 da tarde de uma quinta-feira de junho. penso que com certeza essa realidade não existe. então resolvo voltar para christiania e ficar deitado na beira do lago, olhando os cisnes, atirado no meio da relva. flores e abelhas e muitos pássaros compondo o cenário para ver o cisne macho chegar e passear ao lado das cisnes fêmeas. vou ficar escrevendo no caderno vermelho, que parece mais um livro de orações. olho ao meu redor e reflito sobre as pessoas dali. elas não sabem que o sonho acabou, ninguém avisou, ninguém contou que o dinheiro dominou o mundo e que tudo que diziam sobre o comunismo era mentira e tudo que diziam sobre o capitalismo era verdade. acabo dormindo e acordo num susto. em duas horas está saindo meu avião para londres...

sexta-feira, 11 de abril de 2008

onde comer no rio de janeiro

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rio de janeiro food's

o rio é onde a gente mora. a cidade mais bonita do mundo. além da praia, pão de açucar, do forte de copacabana e do cristo, tem bons reustaurantes.

do leme ao pontal não há nada igual, diria o tim maia!

no leme, na gustavo sampaio 1618 tem um bistro de um francês chamado galeria 1618 que é muito aconchegante e a comida é bem gostosa. meu prato predileto é o penne 1618 que tem molho de ostra e camarões grelhados.

em ipanema tem um bistro super legal, chamado zazá bristrô tropical. o bom é reservar um lugar no tatame. tem um sashimi de salmão com cuzcuz marroquino excelente. na Joana Angelica, telefone é 21 22479102

o sushi leblon é o japonês que mais gosto no rio. fica na dias ferreira 256, que é um rua cheia de restaurantes. na mesma rua, tem o celeiro que é um natural cheio de famosos bom para almoço e o carlota que serve pratos inspirados nas comidas brasileiras. o cafeína é o lugar para tomar café da manhã. mas evite a hora do rush, chegue cedo ou faça reserva. inclusive no café da manhã.

na lagoa rodrigues de freitas tem o bar lagoa que é boteco estilo rio e o palafita que é um lugar na beira da lagoa mesmo . não aceita cartão e serve comida do norte.

no baixo gavea é hipódramo ou o braseiro. para chopps e afins. digo pastéis, pizzas e picanhas.

na barra tem o balada mix que serve sucos, café da manhã, açaí e ótimos sanduíches. fica no jardim ocêanico, na erico veríssimo.

o resto é lá em casa mesmo.

existe alguma cidade que não seja histórica?

imagino. não vi, mas devo ter lido sobre. alguém me contou. talvez tenha sido você ou mesmo as paredes. faz anos que aquela figueira está ali. e aquele castelo? navios afundados, calabouços e cala bocas. viajar por cidades com história é uma das melhores coisas da estrada.
separo 3 lugares que o tempo não esquece. nem eu!

montpellier - france

Montpellier é uma cidade francesa com mais de mil anos de história e com uma arquitetura que mescla o antigo e o moderno. É a capital do departamento Hérault e da região francesa do Languedoc-Roussillon. O nome Montpellier provém de mont pelé, o monte pelado, em função de sua escassa vegetação.
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pirenópolis - brasil


Pirenópolis é uma pequena histórica do goiás, fundada em 1727 pelos Bandeirantes. Fica a 150 km de Brasília e a 130 km de Goiânia. As cachoeiras, em número de mais de vinte, localizam-se num raio de 15 km da cidade. Dentre as festas populares, destaca-se as cavalhadas, uma das maiores atrações folclóricas da América do Sul.
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colônia do sacramento - uruguai


colônia do Sacramento é a cidade mais antiga do uruguai. fica na beira do mar da prata. tem bons restaurantes com parrillada uruguaia e frutos do mar. o principal passeio é a pe mesmo pelas ruas com suas construções históricas. de Colônia você pode pegar um ferry boat. em uma hora vc chega a Buenos Aires , ou vice versa.
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terça-feira, 8 de abril de 2008

longe demais


todo ano no verão dinamarquês acontece o Roskilde Festival. além de muita música de qualidade, o festival é marcado por iniciativas humanitárias e pelo pacifismo. na pequena cidade de Roskilde sempre no início de julho. é um dos maiores festivais do mundo. os principais shows da 37ª edição, que aconteceu entre os dias 5 e 8 de julho do ano passado foram Red Hot Chili Peppers, The Who, The Killers, Björk, Arctic Monkeys e Beastie Boys. Ao todo, mais de 150 artistas de todo o planeta passaram por lá.

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segunda-feira, 7 de abril de 2008

trechos de diário 6 - copenhagem

...estava um dia um tanto chato, peguei um barco como um turista estúpido, visitei os canais e cruzei as pontes. eu via que o povo local não gostava daquela exploração turística, mas assim mesmo abstraí e pude ver alguns pontos. ao cruzar uma área a guia falou alguma coisa como um território livre de música e viciados. resolvi visitar. na entrada, um pórtico anunciava a cidade livre, christiania. pelas ruas do lugar havia havia um mercado ao estilo camden town, só que com variedades de ervas expostas em bancas e tocava um som do mais puro e antigo rock and roll. O pub ao lado chamava-se, óbvio, woodstock então fiquei ali um bom par de horas. Só levantei porque enchi o saco de ouvir um cara que dizia plantar o próprio baseado e uma loira amiga dos vagabundos da rua que dizia gostar de dinheiro. caminhei e sentei num restaurante natural. comi bem depois de tantos dias. então deitei num gramado, em frente a um lago. parece que aqui o tal sonho do mundo livre da juventude eterna não acabou. os velhos queimam enormes baseados ao lado das crianças que passeiam com os professores. começa uma música africana, um freak loiro toca tambor. tem uma pedra enorme escrito algo em alguma língua local. são saxões esses ao meu redor. meio vikings ou total vikings. sujos, livres, bonitos. no outro lado uns loiros vestidos de preto e uma menina esquisita com piercing no nariz vem em minha direção mas não dizem nada. o cara com cara de malvado quer bater uma foto minha. ok. vai ficar legal, eu na deitado na grama escrevendo justo essa parte da história. talvez amanhã eu volte para cá, se o tempo estiver desse jeito, talvez, repito. A não ser que amanheça um lindo dia de sol e eu vá até a praia nadar e colocar a energia do sol no corpo. mas por hoje é isso. caminhar pelas ruas da cidade estranha a mim e eu tão estranho a ela.
sinto como se fosse uma mosca. mas não incomodo, sou como um cão deitado em uma porta de escritório, tolerado pelo gerente só por se inofensivo. leio meu livro de Fernando Pessoa, faço malabaris com devil stick e junto uns trocados assim, no meio da rua bancando o viajante mambembe. consegui grana, o suficiente para tomar uma cerveja, comer um cachorro quente e voltar para o hotel para dormir outra vez...