...não sei por que acabo fazendo a mesma viagem sempre acabar na praia. sim, está talvez seja a praia mais distante que vou chegar. não sei como é, mas deve ter mar e sol como qualquer praia do mundo. não importo em ficar lá mesmo se não houver mais ninguém. bem verdade é que se assim estiver melhor. nadar mesmo que a água seja gelada e eu realmente penso que seja. o trem está no túnel não se vê o sol. chego em uma estação que imagino ser perto da praia. desço do trem, caminho muitos quilômetros até o mar e cansado durmo um pouco,mesmo sem querer. não existe areia aqui. acordo enterrado sobre um pano indiano no meio de um gramado. chapei no sol, olhei o mar. que cara esse. vem de tão longe para ver esse mar. viking para caralho. me sinto viking muitas vezes. primeiro por ser quase ruivo, ter barba clara, a pele branca e por ser alto, corpo de guerreiro, ágil, ariano. eu inventei que moojen é meio viking. solto no mundo, sonhador. claro que isso não significa ter uma vida bandida. é só que parece existir um lobo dentro de mim. dormindo na espreita, cuidando com meio olho acordado. se precisar o lobo acorda então saia da frente porque o lobo parece manso, mas não é.
mas esse papo é meio torto e minha dúvida maior é se a água esta gelada. embora esteja bem quente, vem uma brisa fria. consegui ver o outro lado da baía. tem uma geografia linda, visto daqui parecem fileiras de falésias. caminho até o trapiche. encontro um marujo da suécia. conta que lá é melhor que aqui e me explica caminhos por canais até chegar ao mediterrâneo. acho que essa deve ser uma boa viagem. o cara parecia legal, mas era tímido e esquisito. vejo mães e filhos ao redor, é um lugar mesmo calmo, para relaxar. a água é fria, mas não gelada, é bem fria, mesmo assim vou nadar. entrei no mar da dinamarca e foi horrível. a água era bem mais gelada do que parecia. existem muitas maneiras de ficar alterado: álcool, drogas, sexo, fome, falta de sono, água gelada é uma das mais fortes. mas os velhos entraram. uns quantos antes de mim. notei que as mulheres sofriam menos com o choque das temperaturas. os homens eram bem mais fiasquentos e gritavam assim que a água tocava o saco! saio do mar rápido, me seco no sol. sinto um calor dormente por todo o corpo. pego meu caderno, minha sacola e caminho todo o trajeto.
agora estou no trem de volta. são 1h15 da tarde de uma quinta-feira de junho. penso que com certeza essa realidade não existe. então resolvo voltar para christiania e ficar deitado na beira do lago, olhando os cisnes, atirado no meio da relva. flores e abelhas e muitos pássaros compondo o cenário para ver o cisne macho chegar e passear ao lado das cisnes fêmeas. vou ficar escrevendo no caderno vermelho, que parece mais um livro de orações. olho ao meu redor e reflito sobre as pessoas dali. elas não sabem que o sonho acabou, ninguém avisou, ninguém contou que o dinheiro dominou o mundo e que tudo que diziam sobre o comunismo era mentira e tudo que diziam sobre o capitalismo era verdade. acabo dormindo e acordo num susto. em duas horas está saindo meu avião para londres...

Nenhum comentário:
Postar um comentário