segunda-feira, 7 de abril de 2008

trechos de diário 6 - copenhagem

...estava um dia um tanto chato, peguei um barco como um turista estúpido, visitei os canais e cruzei as pontes. eu via que o povo local não gostava daquela exploração turística, mas assim mesmo abstraí e pude ver alguns pontos. ao cruzar uma área a guia falou alguma coisa como um território livre de música e viciados. resolvi visitar. na entrada, um pórtico anunciava a cidade livre, christiania. pelas ruas do lugar havia havia um mercado ao estilo camden town, só que com variedades de ervas expostas em bancas e tocava um som do mais puro e antigo rock and roll. O pub ao lado chamava-se, óbvio, woodstock então fiquei ali um bom par de horas. Só levantei porque enchi o saco de ouvir um cara que dizia plantar o próprio baseado e uma loira amiga dos vagabundos da rua que dizia gostar de dinheiro. caminhei e sentei num restaurante natural. comi bem depois de tantos dias. então deitei num gramado, em frente a um lago. parece que aqui o tal sonho do mundo livre da juventude eterna não acabou. os velhos queimam enormes baseados ao lado das crianças que passeiam com os professores. começa uma música africana, um freak loiro toca tambor. tem uma pedra enorme escrito algo em alguma língua local. são saxões esses ao meu redor. meio vikings ou total vikings. sujos, livres, bonitos. no outro lado uns loiros vestidos de preto e uma menina esquisita com piercing no nariz vem em minha direção mas não dizem nada. o cara com cara de malvado quer bater uma foto minha. ok. vai ficar legal, eu na deitado na grama escrevendo justo essa parte da história. talvez amanhã eu volte para cá, se o tempo estiver desse jeito, talvez, repito. A não ser que amanheça um lindo dia de sol e eu vá até a praia nadar e colocar a energia do sol no corpo. mas por hoje é isso. caminhar pelas ruas da cidade estranha a mim e eu tão estranho a ela.
sinto como se fosse uma mosca. mas não incomodo, sou como um cão deitado em uma porta de escritório, tolerado pelo gerente só por se inofensivo. leio meu livro de Fernando Pessoa, faço malabaris com devil stick e junto uns trocados assim, no meio da rua bancando o viajante mambembe. consegui grana, o suficiente para tomar uma cerveja, comer um cachorro quente e voltar para o hotel para dormir outra vez...

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