viver um outro agora é sobretudo um sonho. mesmo quando se pisa em uma praia qualquer que está à margem da rio-santos ou em itacaré ou em saquarema, guarda do embaú, olinda ou ouro preto. o mundo é essa maravilha. o homem quem estraga. vivemos hoje uma psicose global. uma corrida por ter tudo que se vende com o selo felicidade. é óbvio dizer que somos apenas escravo do desejo, do medo e do sonho. eu aproveito a oportunidade e pergunto ao senhor bem apessoado que está sentado a minha frente se é bom ter tudo. ele diz que depende, que sempre existem dois lados. mas uma coisa é certa. hoje é bem mais fácil ser feliz com muito dinheiro. o que eu não admito é que não se possa ser feliz com pouco. porque a felicidade não tem haver com ter e sim com estar ou ser. e ser pleno é um exercício diário e individual. saber conhecer a si, respeitar o próximo e o depois do próximo e ajudar sempre que for possível. escrever karmas, vivê-los e elevar a existência a uma coisa sem medo. ter coragem de agarrar uma bala com a mão, de cruzar zonas de risco e ainda mostrar a bunda na janela quando tudo dá errado. é esse o cerne da minha filosofia. desse viver e deixar viver. o resto são as fotos do ontem. vento e coqueiro - dança - música - trânsito - favela - baile funk - blitz da polícia - sangue - choro e uma vela acesa no chão pedindo paz na terra e no coração dos homens de boa vontade. foi bem cedo que descobri que essa história, essa cidade sou eu! são meus olhos arregalados buscando algo dentro de um quarto escuro. estou cego a todas as coisas. as músicas, as ninfas, elfos. estou cego aos cães que latem, cego as latas de lixo e as pessoas que nela almoçam. estou cego aos vírus, aos atabaques dos terreiros, aos cantos gregorianos, ao medo das cidades. estou cego, surdo e mudo! só atento ao sons que as nuves fazem quando se tocam. eu não tenho medo da morte porque esse é um mundo de mortos. por isso eu aviso, eu não vou morrer nunca pois minha palavra há de cruzar encarnações. porque todos quando completarem 18 anos terão ouvido falar de mim ou visto as pegadas que deixei na areia séculos atrás.
uma criança da china acaba de passar por mim. ela me olhou e sorriu e tudo que eu vinha escrevendo se desfez como pó...
uma criança da china acaba de passar por mim. ela me olhou e sorriu e tudo que eu vinha escrevendo se desfez como pó...

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