andei pela paraíba, pela região do brejo, cidade de areia. ali o tempo não passa e é tão quente que quase dá para empurrar o ar. no caminho cruzo cidades que não são mais que uma rua onde os jumentos estão amarrados nas portas dos casebres e as cabras passeiam livres pelo acostamento. bem perto dali, não mais que 3 horas está o mar, o rio grande do norte. a estrada é curta e esburacada mas separa dois mundos bem distintos. de um lado, o mundo da terra, da gente que nunca saiu do lugar, do outro lado, o mar com gente que veio de longe, do outro lado do mundo, literalmente. os turistas leram na internet que existia uma praia do amor, em pipa. voaram até natal, foram em carros elegantes visitar a baía dos golfinhos, viram o mundo pela janela do avião. do lado da terra, ficam as gentes que olham a vida passar pela janela de casa. eles observam os carros vindo e indo, como se o grande mistério da vida fosse de onde vem esses carros e para onde eles irão. o que na verdade pouco importa. o que interessa mesmo para eles é saber se a cana cresceu, se o jumento está bem e se tem sal para salgar a carne, já que o sol e a farinha não faltam. a água sim. é pouca e dá trabalho para buscá-la. mas isso já outra história. o mundo de contraste só se une na hora do pôr do sol, quando os do mar e os da terra prestam atenção nos contornos que a luz desenha na hora em que o sol vai embora, todo aquele universo fica laranja e a noite chega. nesse momento se pode ouvir, apurando os ouvidos, os lamentos dos insetos. são cigarras, grilos e outros tantos que dançam ao redor de qualquer luz. são so gatos que observam os movimentos no escuro, os cachorros que latem para a sombra dos carros e as cabras que dormem sem dar por nada disso. os da terra, se recolhem, fica o silêncio quase que absoluto. só não maior porque bem de longe e bem baixinho começa uma música agitada vinda da beira do mar, que agita os viajantes e anuncia que a festa ali, vai apenas começar...
quarta-feira, 2 de abril de 2008
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