fiquei imaginando uma lista com os melhores sons para viagens. lembrei do que escutava antes do i-pod. marcar uma viagem significava fazer uma fita. uma cassete mesmo para tocar no walkman. sim, eu fui da fita para o ipod. nunca gostei de viajar com dc players porque pulavam muito. então acabei sendo um daqueles saudosistas que foram com as cassetes no bolso até quase a extinção. no fim eu até escondia o walkman porque as pessoas olhavam estranho para ele. enfim. nas primeiras viagens de surf de porto alegre para garopaba o som da época era rock australiano. gangajang, midnight oil, australian crown, algum reggae, bob marley, ub40, e algum the cure e smiths. Depois ouve uma transição para doors, janis, raul seixas.
uma vez fomos surfar no uruguai com um chevete marron que era do stanley. fomos eu ele e enrique. eu estava numa fase cateano transa e eles ouvindo sepultura e metallica. eu não gostava de som pesado porque meu negócio era a tranquilidade. então cada um tinha o direito a um lado de uma cassete. a viagem levava quase oito horas e eu ia torturado e torturante até lá. primeiro eu sofria por uma hora, depois os dois sofriam por meia. embora eu achasse que eles sofriam mais por odiarem mais caetano que eu o sepultura. a gente até tinha o nirvana em comum, mas na guerra das fitas, kurt cobain ficou esquecido no porta luvas.
minha última fita foi comigo para new york. lá meu walkman quebrou e logo acabei no mp3. a minha última cassete tinha caetano cantando for no one e lady madonna dos beatles e muito lou reed. eu, um ano antes havia andado com mano chao de trem desde barcelona até napoli. meu i pod comprei em chicago e roubei as músicas do computador do emerson, um amigo que digamos entende de som. fiquei um mês em nyc ouvindo bill writhers, tom jobim e uma coletânea de blacks antigos.
mas de todas as músicas ouvidas em todos os carros, trens, ônibus e aviões eu fico com forever young do bob dylan. ok, pouca coisa se compara com a versão do hendrix para like a rolling stones, mas eu fico com forever young.
