domingo, 17 de fevereiro de 2008

carimbó

foi no pará que ouvi pela primeira vez o carimbó. e também os mestres da guitarrada. coisas assim transformam nossas viagens em aventuras, porque para ouvir tais ritmos tive que ir até belém, pegar barco e ir até algodoal. uma ilha no pará, norte do brasil, cheia de histórias. fui para um festival. cheguei junto de alguns músicos que iriam tocar lá. a chegada na ilha foi dividindo os fones do ipod com o domenico, ao som de like a rolling stone na versão do jimi hendrix. uma coisa meio que lisérgica. fazia uma calor africano e parecia que estavamos chegando em uma ilha perdida. não lembro se tinha luz elétrica ou gerador, sei somente que eu fiquei de pés descalso o tempo todo. a comida era peixe, farinha e açaí. de dia, não tinha muito que fazer. de noite, o negócio era ouvir o carimbó. tinha um tiozinho, figura local (esqueci o nome) que era o maior poeta da ilha. vivia rodeado de cachorros e tiveram que segurar ele em casa para que não bebesse demais, com o propósito de conseguir fazer o show da noite. pois ele subiu ao palco. o povo aplaudiu e eu fiquei com uma estranha impressão que, por mais que a gente ande, nunca vai conseguir conhecer esse país inteiro.