...às vezes vivo um mundo de sonho, mas acredito nele. especialmente quando o trem que estou entra em um ferry boat para sair da dinamarca e chegar à alemanhã. saio do trem, subo as escadas e acompanho o vôo de uma gaivota que aproveita a energia do ferry cortando o mar para voar sem bater asas. quando retorno ao trem, sento ao lado de um norueguês. ele se orgulha das vezes que a noruega venceu o brasil no futebol. usa uma camiseta preta escrito errare humanum est!!! e todo mundo erra. erra feio, repetidas vezes e então se diz que é burrice. mas aprendi que não existe o caminho errado. existe apenas o caminho. nele as coisas se resolvem com um remédio apenas: o tempo, aquele que põe mofo nas coisas, acumula poeira e apaga as pinturas antigas. Faz bem acelerá-lo ou retardá-lo, mas pará-lo nunca. desejo para isso não falta, especialmente quando se vê o mundo passar pela janela. no trem nada acontece de extraordinário. Tem uma mulher perfumada e gorda sentada à minha frente. não poderia chamá-la de senhora, pois não aparenta muita idade, mas se vê que está de saco cheio. tem dois simpáticos rapazes sentados perto, eu e o norueguês. a gorda não diz um hi, hello. parece que não sorri mais porque talvez tenha perdido a alegria há algum tempo. pode não ser nada disso, mas o dedo gordo e vermelho é apertado por uma aliança de ouro. é casada e o marido já não a suporta. eu desejei que ela trocasse de lugar e me deixasse com um banco livre para esticar as pernas. Vou chegar em Hamburgo. não sei, mais uma vez, o que vou fazer. a única coisa que sei é que estou indo para casa. agora é deixar que a realidade caia feito um dragão horroroso na minha cara. vi moinhos pelo caminho. moinhos modernos que significam futuro. novas e antigas formas de captar energia. dom quixote lutava contra eles. Eu os amo. espero ver o brasil assim, com trens e moinhos. mas primeiro o povo tem que comer e eu também.
na volta vou jogar futebol. ontem no parque conversei sobre futebol com uns pretos africanos. dizia um que queria ir para o rio de janeiro jogar futebol na praia e fazer com que as pessoas fossem assistir o show africano. achei engraçado, mas adverti que jogar futebol, dentro do Brasil, na praia do rio, requer malandragem e muita habilidade. ele riu e eu também.
então, cheguei a estação de hamburgo. não fiz porra nenhuma. Fui a um bairro chamado Saint Pauli, lugar de gente pirada e de putas. Devo ter cara de louco, pois na primeira esquina me ofereceram drogas e sexo por 30 euros. Nem pensar, danke, não quero.o máximo que consegui fazer foi entrar em um pub sujo, beber uma cerveja, não falar com ninguém e ir embora.
então, cheguei a estação de hamburgo. não fiz porra nenhuma. Fui a um bairro chamado Saint Pauli, lugar de gente pirada e de putas. Devo ter cara de louco, pois na primeira esquina me ofereceram drogas e sexo por 30 euros. Nem pensar, danke, não quero.o máximo que consegui fazer foi entrar em um pub sujo, beber uma cerveja, não falar com ninguém e ir embora.
no aeroporto, fiz o pior negócio da minha vida. a companhia aerea me ofereceu 300 euros, mais hotel para ir até frankfurt, ficar uma noite e deixar meu lugar no avião para outra pessoa. não aceitei. estava cansado. minhas duas mochilas pesam juntas 20 kg e estou com esse peso nas costas há 45 dias. agora não tenho força nem para levantar nem para comer algo. só quero ir embora, deitar na minha cama e ter um banheiro todo só para mim. na real, precisava de um banho agora, porque o hotel sujo, feio e barato me colocou na rua às 11hs e vaguei no sol até a hora de pegar um ônibus para o aeroporto. estou exausto. louco para dormir e sonhar. hoje a noite o céu vai estar estrelado. lá em cima, sujo como estou, vou cruzar dois trópicos até chegar em casa. vai estar frio. vou achar uma boa garrafa de vinho para beber. não posso dormir até a noite chegar, pois o fuso assim se ajusta. chego, não durmo, morro de cansado, durmo e pronto. no avião, os alemães filhos da puta não falam muito e eu estou farto de silêncio. vou dormir assim que puder e espero acordar no brasil...

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